Quando a gente começa a correr, normalmente começamos a apresentar dores pelo corpo. Essas dores variam de pessoa para pessoa, de tipo de treino, condições físicas individuais.
E como qualquer sedentário como eu, quando começa a fazer algum tipo de exercício físico, as malditas dores aparecem, tarde ou cedo. No meu caso, lá no primeiro ano de academia, sentia dores lombares, principalmente quando ficava em pé por muito tempo. Isso significava que eu ficava com a Maria Eduarda no colo e me causava dores. O engraçado é que eu não sentia dores se estivesse em movimento, como andar. Mas ficar em pé era muito doloroso.
Na academia eu comecei a fazer exercícios específicos para a musculatura lombar e isso melhorou bem. A não ser num dia em especial que houve uma contratura muscular lombar aguda e que eu não conseguia sequer me abaixar. Para isso resolvi procurar um ortopedista, o Dr. Isaac Szklarz. Este me receitou um antiinflamatório (algum coxib desses) e um miorrelaxante (ciclobenzaprina).
Mas a dor hoje em dia é nas canelas. Não costumo sentir dores no joelho como muitos sentem, apesar de meu joelho direito fazer barulhos semelhantes a um pedaço de plástico sendo triturado num liquidificador. Mas não dói. O que dói é a musculatura tibial anterior. E também o medial tibial. O engraçado é que a dor alterna de lado. Dependendo do dia dói o lado esquerdo, o lado mais frequente, mas as vezes dói o lado direito.
O professor Renan Melo da academia sugeriu uns exercícios para fortalecimento da tal musculatura. Além de fazer fortalecimento das musculaturas da perna e canela, alongamentos específicos. E passou um link para dar uma lida.
Um dos exercícios propostos é colocar uma caneleira no pé, sentado com a perna esticada com o pé solto na borda do banco, fazendo movimentos de flexão e extensão do pé. Dia desses, após um treino de corrida, estava eu calmamente fazendo este exercício quando a Paula, amiga da academia, me olha com seu rosto angelical e com as palavras mais doces, meigas e incentivadoras que um ser humano poderia proferir perguntou: - que viadagem é essa? Vai fazer balé agora?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Maratona do Rio, Family Run - 2009, 6 Km
Dia 28 de junho de 2009
Depois de um ano inteiro sem me dedicar a corridas, resolvi fazer meio que por consideração (não me perguntem a que ou quem) a Family Run de 2009.
Nem tinha treinado direito, estava completamente fora de forma. Pra piorar a situação, no dia anterior foi o churrasco do Palmeiras - RJ comemorando um ano de existência da torcida. Foi no playground do prédio do Paulão, no Leblon. Se é churrasco, tem carne. E tem bebidas. Eu não sou muito de beber cerveja, até porque não gosto muito. Prefiro bebidas destiladas como cachaça. Não sei se alguém sabe, mas sou muito amante de carnes. E o churrasco, apesar de ter sido feito por um corintiano (?!?!), o pai do Luiz Eduardo, também do Palmeiras - RJ, tava muito bom e eu consumi toneladas de carne de churrasco. Além de beber litros de uma bebida alcoólica que parecia algo como ki-suco de acerola com vodka. Um horror, mas era alcoólico e destilado. E eu bebi assim mesmo.
Isso tudo quer dizer que eu não deveria ter sequer pensado em correr no dia seguinte. O churrasco foi muito bom, me diverti com torcedores do meu time, bebi um troço esquisito alcoólico de cor meio avermelhada e promovemos o projeto "São Marcos na calçada da fama, já!".
Após o quarto quilômetro, realmente vi que a coisa estava numa situação extrema e crítica, tanto que, depois de pegar um copo de água, minhas pernas já não obedeciam como deveriam. E por diversas vezes deixei de correr para andar, para recuperar o fôlego que já nem existia mais. Não me lembro quantas vezes eu parei de correr para andar, mas foi pelo menos umas quatro vezes. Esse cara com cara de bandido atrás de mim na foto ficou o tempo todo gritando, mandando eu não parar. Como se fosse uma opção minha! Não sei se ele era um desses incentivadores de pessoas. Acho que até funcionou em parte, pois ter um cara desses atrás de você gritando é assustador. E a gente acaba correndo com medo de levar um soco ou um tiro... Sei lá. Melhor não saber.
*Bambi = torcedor do time do São Paulo Fashion Clube. Igualmente conhecidas como bicharada, bibas, bailarinas do Morumbicha.
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| Segunda Family Run da minha vida com número 10909 |
Nem tinha treinado direito, estava completamente fora de forma. Pra piorar a situação, no dia anterior foi o churrasco do Palmeiras - RJ comemorando um ano de existência da torcida. Foi no playground do prédio do Paulão, no Leblon. Se é churrasco, tem carne. E tem bebidas. Eu não sou muito de beber cerveja, até porque não gosto muito. Prefiro bebidas destiladas como cachaça. Não sei se alguém sabe, mas sou muito amante de carnes. E o churrasco, apesar de ter sido feito por um corintiano (?!?!), o pai do Luiz Eduardo, também do Palmeiras - RJ, tava muito bom e eu consumi toneladas de carne de churrasco. Além de beber litros de uma bebida alcoólica que parecia algo como ki-suco de acerola com vodka. Um horror, mas era alcoólico e destilado. E eu bebi assim mesmo.
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| Palmeiras - RJ comemorando seu primeiro aniversário |
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| Prova que eu tava me empaturrando de carne |
No dia seguinte, a corrida. Já tinham me dito que correr ou fazer qualquer exercício aeróbico depois de comer muita carne e álcool era certeza de fracasso e perda de rendimento. Realmente, nunca seis quilômetros nunca me pareceu tão longe.
Durante a corrida, eu que já suo muito normalmente, sentia que suava mais e mais, mas não por aumento de velocidade ou manutenção de ritmo mais forte. Mas por causa de uma sobrecarga de proteínas de difícil digestão do dia anterior, aliada a uma disfunção hepática para metabolização de um carboidrato complexo que é o álcool. Isso fez com que eu me desgastasse de forma completamente anômala prejudicando muito o meu rendimento que, sejamos sinceros, nunca foi lá grande coisa. Isso é visível no meu rosto durante a corrida fotografado por essas empresas de fotografia que ficam espalhados pelo percurso tirando fotos, muitas vezes, constrangedoras.
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| Parecia um cadáver resgatado do voo AF447 (foto: MidiaSport) |
No final das contas, meu tempo líquido foi de 33 min 24 seg, ficando em 752º lugar geral e 107º por faixa etária. Ou seja, três minutos a mais que no ano anterior. Isso me desanimou e muito.
Mas quando a gente cruza o pórtico de chegada, pega isotônicos, frutas, medalha de participação (o de sempre), tudo fica pra trás. E fica mesmo, pois nesse ano foi a única corrida que participei.
| Já melhor. Um pouco. |
Mesmo correndo lentamente, sem a menor forma física e emocional, levei "apenas" pouco mais que meia hora. E desta vez, por não ter o que fazer, esperei o povo do Chão do Aterro (i.é., Toninho e Cláudio).
Nesta corrida, a barraca do Chão do Aterro ficava a beira do corredor de chegada do povo da meia maratona e da maratona. E lá fiquei esperando o Toninho e o lento do Cláudio. Vendo a chegada de um monte de gente dos trajetos mais longos, percebi que tinha um monte de bambis* correndo com seus uniformes de jogo. Via um, dois, um monte delas chegando, fora os que já tinham corrido a Family Run (a maioria) que estavam perto da barraca do Chão. Como o tédio me faz ter criatividade nem sempre saudável, resolvi tirar um barato com um bando de sãopaulinos que tinha ali, perto de mim.
Cheguei no grupo e perguntei se eles eram de um bar em Copacabana chamado Guimo´s Pub (antro da bicharada sãopaulina) e prontamente um cervídeo me respondeu que sim. E me perguntou se eu também frequentava lá. Eu respondi que eu não corria muito, pois porco não corre bem, que quem corre bem é bambi! A biba ficou furiosa e começou a falar algo sobre eu ser marrento e tirar onda com a cara delas. Fez meu dia! Fiquei rindo sozinho.
Algum tempo depois o Toninho cruza o pórtico de chegada e horas depois, o Cláudio vem se locomovendo como um daqueles Barbapapas de antigamente.
| Eu, Cláudio, Matheus sendo enforcado pelo Toninho |
Torcedores do São Paulo que por algum acaso lerem este blog, não levem a mal. Apenas provocações naturais de um Palmeirense fanático.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Maratona do Rio, Family Run - 2008, 6 Km
Dia 29 de junho de 2008
Ainda animado com a corrida Leblon-Leme, resolvi correr esta. Na época, o Cláudio tinha falado que se eu mantivesse uma média de 3 corridas por mês seria ideal! Fala sério, mané, que mané três corridas por mês! Além de não ter saco pra isso tudo, ainda ia falir, pois cada vez mais as corridas aumentam de preço. Bom, claro que é um certo exagero da minha parte, mas são coisas caras, no final das contas. Então, nesse ano, resolvi que correria três corridas no ano.
Esta corrida é uma das mais democráticas, pois têm três modalidades distintas. A Maratona, de 42 Km, a Meia Maratona, de 21 Km e a Family Run, de 6 Km. A Maratona começa depois do Pontal do Recreio, Recreio, Barra, Elevado do Joá, São Conrado, Av. Niemeyer, Leblon, Ipanema, Arpoador, Copacabana, Av. Princesa Isabel, Av. Lauro Sodré, Praia de Botafogo e a chegada no Aterro do flamengo. A Meia Maratona começa na Praia do Pepê e segue pelo Elevado do Joá em diante. E a ralé, digo, a Family Run começa e termina no Aterro, num trajeto de ida e volta.
Para esta corrida eu tinha uma motivação maior, que era chegar na frente de uma dupla de gêmeas, sendo uma igualmente veterinária. Paula e Tássia Gazé. Ou as Gazés! Duas magrelas que malham desde sempre e marrentas, dizendo que eu ia comer poeira delas. E lembro que durante meus treinos, eu perguntei pra Paula em quanto tempo ela fazia os 6 Km. E a resposta dela foi algo em torno de 29 a 30 minutos! O que daria um pace de 12 a 12,5 Km/h??? Eu treinava igual um desesperado na esteira. E nada de conseguir abaixar meu tempo, que sempre girava em torno de 32 a 34 minutos. Até um monitor da academia ficava enchendo meu saco dizendo que eu podia fazer melhor. Eu usei um tênis Nike Air, que me proporcionava mais conforto do que a porcaria da Asics que tinha me causado bolha no pé direito.
Neste dia, da corrida, como o Toninho e o Cláudio iriam correr a meia maratona, eles seguiram direto para a Barra no ônibus do próprio evento. E eu, acordando bem mais tarde, cheguei direto no Aterro de metrô. Naquela multidão, era praticamente impossível encontrar qualquer pessoa. A não ser que tenha marcado em algum lugar (o que não foi o caso) ou por acaso. E não é que na multidão na largada eu encontro as duas e ainda por cima o tal monitor que enchia meu saco? Os três no mesmo lugar! Puta cagada. Daquelas que provavelmente nunca mais irá acontecer.
Dada a largada, o monitor, que tem quase dois metros de altura e metade de pernas, saiu correndo no meio da multidão e nunca mais o vi. Sério. Nunca mais mesmo, porque depois disso ele saiu da academia e só o vi pelo Orkut. Em foto. E comecei a correr num ritmo forte. Eu lembro de ter visto a Paula, a veterinária, ficar meio que pra trás, enquanto que a Tássia, que não sei o que ela faz, sair meio que junto comigo e me acompanhando num ritmo um pouco menor.
O problemas dessas corridas "famosas" é que realmente tem muita gente. E eu não tenho capacidade de correr e ficar olhando pra trás ou pra qualquer lado que não o da frente procurando pessoas. Como diria um ex jogador dos gambás*, o Mirandinha, ou eu corro ou eu penso. Mesmo assim de vez em quando eu olhava pra trás para ver onde ela se localizava. Acho que lá pelo terceiro ou quarto quilômetro não a vi mais.
Quando faltava uns 500 metros, arranquei e cruzei o pórtico de chegada. Aí, o de sempre, pegar frutas, isotônico (UM, pois nunca me deram mais de um... Nem pedindo), pegar a medalha de participação, alongamento etc. E logo depois de mim, coisa de uns dois ou três minutos depois a Tássia chega. E quase 10 minutos depois a Paula. A Paula até tinha um discurso meio que ensaiado, de que tinha saído na noite anterior para uma festa, tinha dormido tarde, tinha bebido e tal. É, pode ser. Já a Tássia ficou me zoando falando que eu corro igual a uma mulherzinha. Sacanagem.
Enquanto a gente descansava depois da chegada, achei a esposa do Cláudio, a Cristiane, que tinha levado câmera e tirou as duas únicas fotos que tenho deste evento. Mentira, depois eu comprei uma foto minha correndo em papel fotográfico de um site aí qualquer. Acho que foi da Midia Sport.
No final das contas, em 2008 eu só corri a Leblon-Leme e esta.
*Gambá = corintiano.
| São Francisco e meu número de peito 791 |
Esta corrida é uma das mais democráticas, pois têm três modalidades distintas. A Maratona, de 42 Km, a Meia Maratona, de 21 Km e a Family Run, de 6 Km. A Maratona começa depois do Pontal do Recreio, Recreio, Barra, Elevado do Joá, São Conrado, Av. Niemeyer, Leblon, Ipanema, Arpoador, Copacabana, Av. Princesa Isabel, Av. Lauro Sodré, Praia de Botafogo e a chegada no Aterro do flamengo. A Meia Maratona começa na Praia do Pepê e segue pelo Elevado do Joá em diante. E a ralé, digo, a Family Run começa e termina no Aterro, num trajeto de ida e volta.
Para esta corrida eu tinha uma motivação maior, que era chegar na frente de uma dupla de gêmeas, sendo uma igualmente veterinária. Paula e Tássia Gazé. Ou as Gazés! Duas magrelas que malham desde sempre e marrentas, dizendo que eu ia comer poeira delas. E lembro que durante meus treinos, eu perguntei pra Paula em quanto tempo ela fazia os 6 Km. E a resposta dela foi algo em torno de 29 a 30 minutos! O que daria um pace de 12 a 12,5 Km/h??? Eu treinava igual um desesperado na esteira. E nada de conseguir abaixar meu tempo, que sempre girava em torno de 32 a 34 minutos. Até um monitor da academia ficava enchendo meu saco dizendo que eu podia fazer melhor. Eu usei um tênis Nike Air, que me proporcionava mais conforto do que a porcaria da Asics que tinha me causado bolha no pé direito.
Neste dia, da corrida, como o Toninho e o Cláudio iriam correr a meia maratona, eles seguiram direto para a Barra no ônibus do próprio evento. E eu, acordando bem mais tarde, cheguei direto no Aterro de metrô. Naquela multidão, era praticamente impossível encontrar qualquer pessoa. A não ser que tenha marcado em algum lugar (o que não foi o caso) ou por acaso. E não é que na multidão na largada eu encontro as duas e ainda por cima o tal monitor que enchia meu saco? Os três no mesmo lugar! Puta cagada. Daquelas que provavelmente nunca mais irá acontecer.
Dada a largada, o monitor, que tem quase dois metros de altura e metade de pernas, saiu correndo no meio da multidão e nunca mais o vi. Sério. Nunca mais mesmo, porque depois disso ele saiu da academia e só o vi pelo Orkut. Em foto. E comecei a correr num ritmo forte. Eu lembro de ter visto a Paula, a veterinária, ficar meio que pra trás, enquanto que a Tássia, que não sei o que ela faz, sair meio que junto comigo e me acompanhando num ritmo um pouco menor.
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| Correndo e correndo bem até |
O problemas dessas corridas "famosas" é que realmente tem muita gente. E eu não tenho capacidade de correr e ficar olhando pra trás ou pra qualquer lado que não o da frente procurando pessoas. Como diria um ex jogador dos gambás*, o Mirandinha, ou eu corro ou eu penso. Mesmo assim de vez em quando eu olhava pra trás para ver onde ela se localizava. Acho que lá pelo terceiro ou quarto quilômetro não a vi mais.
Quando faltava uns 500 metros, arranquei e cruzei o pórtico de chegada. Aí, o de sempre, pegar frutas, isotônico (UM, pois nunca me deram mais de um... Nem pedindo), pegar a medalha de participação, alongamento etc. E logo depois de mim, coisa de uns dois ou três minutos depois a Tássia chega. E quase 10 minutos depois a Paula. A Paula até tinha um discurso meio que ensaiado, de que tinha saído na noite anterior para uma festa, tinha dormido tarde, tinha bebido e tal. É, pode ser. Já a Tássia ficou me zoando falando que eu corro igual a uma mulherzinha. Sacanagem.
Enquanto a gente descansava depois da chegada, achei a esposa do Cláudio, a Cristiane, que tinha levado câmera e tirou as duas únicas fotos que tenho deste evento. Mentira, depois eu comprei uma foto minha correndo em papel fotográfico de um site aí qualquer. Acho que foi da Midia Sport.
Esse dia estava tão quente que realmente não fiz muita questão de esperar o Toninho e principalmente o Cláudio chegarem da meia maratona. Fui embora de metrô com as duas. Nesta época, o metrô ainda tinha ar condicionado que funcionava bem e é muito bom poder apreciar um bom vagão gelado num dia quente de início de inverno.
Meu tempo líquido foi impressionante para mim: 30 min e 30 seg! Colocação geral: 261º em 1310 e 32º por faixa etária, em 158! Acho que nunca mais consigo sequer chegar perto deste tempo. Dá um pace de quase 5 min/Km.
No final das contas, em 2008 eu só corri a Leblon-Leme e esta.
*Gambá = corintiano.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Corrida Leblon-Leme - 2008, 8 Km
Dia 13 de janeiro de 2008.
Após 27 anos sem participar de uma corrida de rua, resolvi me inscrever nesta corrida com a mesma distância da primeira e até então última. É aquilo, estava me exercitando na esteira na academia e me animei, ainda mais porque o Toninho e o Cláudio ficavam enchendo o saco pra eu correr. Já tinha feito um teste ergométrico onde o resultado foi ótimo para um ex sedentário. No laudo dizia que eu tinha uma capacidade cardiorrespiratória excelente. Por incrível que pareça.
Pra isso, resolvi treinar. Acho que corri os 8 Km na esteira 3 vezes num espaço de 2 semanas e 1 vez no Aterro com o Cláudio. Ia até fazer mais um treino no Aterro com o Toninho, mas no dia tava um tempo meio esquisito e quando liguei, o Toninho, do alto da sua sabedoria indígena me garantiu que certamente iria cair um toró inviabilizando o treino. Fui então pra academia correr na esteira. Isso foi numa quinta feira antes da corrida. E não choveu absolutamente nem uma gota. Ou seja, como meteorologista, ele é um ótimo corredor. E o tênis Asics que tinha comprado depois de fazer aquele teste de pisada tinha causado uma grande bolha no meu pé direito, na curvatura medial. Três dias antes da corrida. Até o dia da corrida andei com curativo pra ver se melhorava alguma coisa, mas necas de pitibiribas.
Dia da corrida. Fiz um curativo com micropore, algodão e pomada anestésica no pé, calcei o tênis desgracento e estava pronto pra ir pra corrida. Fomos de táxi até o Leblon, local da largada. Aquecimento, alongamento, fotos e largada!
Logo na largada, só vi o Toninho sumir correndo como uma gazela saltitante. Tinha alguém, acho que era esse de cabelos iguais a fios de ovos, me ultrapassar solenemente. Ou seja, na verdade, eu era tão lerdo que o único que não me ultrapassou foi o Cláudio, que é o real lesma lerda do blog.
Ah, logo no primeiro quilômetro também fui ultrapassado por um bebê. Num desses carrinhos de bebê triciclo. E fui seguindo pela Av. Delfim Moreira, passando pelo Jardim de Alá, Av. Vieira Souto até entrar na rua Francisco Otaviano, no Arpoador.
Lá, tinha um velho manco que cada vez que aproximava dele, ele aumentava a velocidade. E eu diminuia. E ele também. Eu acelerava e ele também. O desgraçado foi correndo na minha frente até o Leme... Mas o pior não era isso. Era entrar na Av. Atlântica e ver que ainda faltava toda Copacabana e Leme. Nunca o Leme me pareceu tão longe. Nessa hora percebi que o curativo da bolha que tinha feito já não adiantava mais nada. Só sentia a sola do pé queimando. Mas na adrenalina, dava pra aguentar.
Continuei e até que não achei tão ruim avançar pela Atlântica, pegando uns copos de água nos postos de hidratação. Ao entrar no Leme, depois de passar pela Av. Princesa Isabel, vi novamente o velho manco. Nessa hora, eu resolvi que o senhor cambeta não iria chegar na minha frente. E ultrapassei sem dó. Uau! Nas últimas centenas de metros arranquei e cheguei com o tempo líquido de 46 min 02 seg. Colocação geral: 1226º lugar...
Chegada, devolver chip de cronometragem, beber uns isotônicos, receber medalha de participação e claro, fotos. Nesta foto acima, Maicon, Cláudio, Bruna, Toninho, Renan e eu, com o número de peito 1699.
O pior foi a volta. Como todos sabem, eu não ando mais de ônibus. Mas como ninguém quis rachar um táxi comigo, tive que me render a andar neste coletivo dos infernos até em casa...
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| São Francisco, sempre me protegendo |
Pra isso, resolvi treinar. Acho que corri os 8 Km na esteira 3 vezes num espaço de 2 semanas e 1 vez no Aterro com o Cláudio. Ia até fazer mais um treino no Aterro com o Toninho, mas no dia tava um tempo meio esquisito e quando liguei, o Toninho, do alto da sua sabedoria indígena me garantiu que certamente iria cair um toró inviabilizando o treino. Fui então pra academia correr na esteira. Isso foi numa quinta feira antes da corrida. E não choveu absolutamente nem uma gota. Ou seja, como meteorologista, ele é um ótimo corredor. E o tênis Asics que tinha comprado depois de fazer aquele teste de pisada tinha causado uma grande bolha no meu pé direito, na curvatura medial. Três dias antes da corrida. Até o dia da corrida andei com curativo pra ver se melhorava alguma coisa, mas necas de pitibiribas.
Dia da corrida. Fiz um curativo com micropore, algodão e pomada anestésica no pé, calcei o tênis desgracento e estava pronto pra ir pra corrida. Fomos de táxi até o Leblon, local da largada. Aquecimento, alongamento, fotos e largada!
Logo na largada, só vi o Toninho sumir correndo como uma gazela saltitante. Tinha alguém, acho que era esse de cabelos iguais a fios de ovos, me ultrapassar solenemente. Ou seja, na verdade, eu era tão lerdo que o único que não me ultrapassou foi o Cláudio, que é o real lesma lerda do blog.
Ah, logo no primeiro quilômetro também fui ultrapassado por um bebê. Num desses carrinhos de bebê triciclo. E fui seguindo pela Av. Delfim Moreira, passando pelo Jardim de Alá, Av. Vieira Souto até entrar na rua Francisco Otaviano, no Arpoador.
Lá, tinha um velho manco que cada vez que aproximava dele, ele aumentava a velocidade. E eu diminuia. E ele também. Eu acelerava e ele também. O desgraçado foi correndo na minha frente até o Leme... Mas o pior não era isso. Era entrar na Av. Atlântica e ver que ainda faltava toda Copacabana e Leme. Nunca o Leme me pareceu tão longe. Nessa hora percebi que o curativo da bolha que tinha feito já não adiantava mais nada. Só sentia a sola do pé queimando. Mas na adrenalina, dava pra aguentar.
Continuei e até que não achei tão ruim avançar pela Atlântica, pegando uns copos de água nos postos de hidratação. Ao entrar no Leme, depois de passar pela Av. Princesa Isabel, vi novamente o velho manco. Nessa hora, eu resolvi que o senhor cambeta não iria chegar na minha frente. E ultrapassei sem dó. Uau! Nas últimas centenas de metros arranquei e cheguei com o tempo líquido de 46 min 02 seg. Colocação geral: 1226º lugar...
A minha chegada filmada pelo Toninho.
Chegada, devolver chip de cronometragem, beber uns isotônicos, receber medalha de participação e claro, fotos. Nesta foto acima, Maicon, Cláudio, Bruna, Toninho, Renan e eu, com o número de peito 1699.
O pior foi a volta. Como todos sabem, eu não ando mais de ônibus. Mas como ninguém quis rachar um táxi comigo, tive que me render a andar neste coletivo dos infernos até em casa...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Início da vida não-sedentária
Em setembro de 2007, a minha filha Maria Eduarda então com 1 ano e 1 mês, precisava começar a realizar alguma atividade física e decidimos então que ela faria natação. Como a natação com a professora mais recomendada era na academia Fórmula da Água, a Raphaela resolveu matricular todo mundo. Todo mundo incluía a Duda, ela e eu.
Imagina eu, depois décadas de sedentarismo, começando a malhar. Um horror inicial. No primeiro dia, fui fazer a tal avaliação com uma professora de lá. Nessa avaliação vi que tinha encolhido um centímetro e meio, o que para um baixinho faz diferença. E aquelas coisas, não conseguia fazer uma abdominal sem apoiar as mãos, musculatura flácida etc.
Depois da avaliação me colocaram para me exercitar por uns 10 minutos na esteira, andando, claro. O mais estranho é que, como nunca tinha andado numa esteira, quando ela parou e fui descer, meu cerebelo ainda interpretava como se eu estivesse em movimento. Isso me causou um desequilíbrio momentâneo mas para a infelicidade dos presentes na sala de aeróbica não me estabaquei no chão.
Me subiram então pra sala de musculação. Aquelas geringonças cheias de polias e pesos. Algum professor me fez uma série inicial, só pra começar, e depois ia ter que fazer uma série definitiva. A minha vontade depois da série provisória era voltar de táxi para casa. Mas acho que nem isso ia conseguir, já que não conseguia nem levantar o braço para chamar um. Acho que voltei de metrô mesmo.
Engraçado é que quando seu corpo fica muito tempo sem se exercitar, ele meio que começa a pedir através de dores e cãibras. Eu nunca fui rato de academia, nem sou. Mas sinto falta se não consigo ir.
E então comecei a correr uma a duas vezes por semana, e nos outros dias fazia cross-training (ou Transport). Aliás, nunca entendi porque aquela máquina se chama Transport. Não te transporta pra lugar algum. Você fica pedalando, pedalando, pedalando naquela coisa no mesmo lugar e no mesmo lugar continua. Com algumas calorias a menos, claro.
No início, acho que comecei correndo na velocidade vertiginosa de 7 Km/h!!! E depois fui aumentando a velocidade e distância. Na verdade, nem aumentei tanto assim a velocidade nem a distância. Fato que verão nos próximos posts.
O mais engraçado na academia, não sei isso acontece em todas, mas nessa, depois de umas semanas de treinos, os professores começam a falar coisas do tipo: - Aê, já tá bem melhor, hein? Ou fazem umas caras engraçadas e gesticulando as mãos, passando pela barriga, querendo dizer que a musculação tá "fazendo efeito". É claro que na realidade, um ou dois meses de musculação não faz a menor diferença em termos fenotípicos, a não ser que o cidadão use anabolizantes, o que definitivamente não é a minha. Mas é verdade que a gente se sente melhor, mais disposto e dá vontade de malhar mais pois, por menor que seja a melhora, há alguma e nos dá confiança pra continuar. Hoje em dia ninguém mais fala nada. Ou devem falar pra quem tá começando.
Pelo menos, depois de quase três anos de academia, "cresci" 2 cm!!! Ou seja, se na primeira avaliação estava com 1,68, na última avaliação que fiz no início deste ano estava com 1,705. Ou melhor, um metro, setenta centímetros e meio!!! Certamente, por melhora na postura.
E a Duda e eu continuamos até hoje. Ela na natação e eu na musculação e esteira.

Depois da avaliação me colocaram para me exercitar por uns 10 minutos na esteira, andando, claro. O mais estranho é que, como nunca tinha andado numa esteira, quando ela parou e fui descer, meu cerebelo ainda interpretava como se eu estivesse em movimento. Isso me causou um desequilíbrio momentâneo mas para a infelicidade dos presentes na sala de aeróbica não me estabaquei no chão.
Me subiram então pra sala de musculação. Aquelas geringonças cheias de polias e pesos. Algum professor me fez uma série inicial, só pra começar, e depois ia ter que fazer uma série definitiva. A minha vontade depois da série provisória era voltar de táxi para casa. Mas acho que nem isso ia conseguir, já que não conseguia nem levantar o braço para chamar um. Acho que voltei de metrô mesmo.
Engraçado é que quando seu corpo fica muito tempo sem se exercitar, ele meio que começa a pedir através de dores e cãibras. Eu nunca fui rato de academia, nem sou. Mas sinto falta se não consigo ir.
E então comecei a correr uma a duas vezes por semana, e nos outros dias fazia cross-training (ou Transport). Aliás, nunca entendi porque aquela máquina se chama Transport. Não te transporta pra lugar algum. Você fica pedalando, pedalando, pedalando naquela coisa no mesmo lugar e no mesmo lugar continua. Com algumas calorias a menos, claro.
No início, acho que comecei correndo na velocidade vertiginosa de 7 Km/h!!! E depois fui aumentando a velocidade e distância. Na verdade, nem aumentei tanto assim a velocidade nem a distância. Fato que verão nos próximos posts.
O mais engraçado na academia, não sei isso acontece em todas, mas nessa, depois de umas semanas de treinos, os professores começam a falar coisas do tipo: - Aê, já tá bem melhor, hein? Ou fazem umas caras engraçadas e gesticulando as mãos, passando pela barriga, querendo dizer que a musculação tá "fazendo efeito". É claro que na realidade, um ou dois meses de musculação não faz a menor diferença em termos fenotípicos, a não ser que o cidadão use anabolizantes, o que definitivamente não é a minha. Mas é verdade que a gente se sente melhor, mais disposto e dá vontade de malhar mais pois, por menor que seja a melhora, há alguma e nos dá confiança pra continuar. Hoje em dia ninguém mais fala nada. Ou devem falar pra quem tá começando.
Pelo menos, depois de quase três anos de academia, "cresci" 2 cm!!! Ou seja, se na primeira avaliação estava com 1,68, na última avaliação que fiz no início deste ano estava com 1,705. Ou melhor, um metro, setenta centímetros e meio!!! Certamente, por melhora na postura.
E a Duda e eu continuamos até hoje. Ela na natação e eu na musculação e esteira.
domingo, 29 de agosto de 2010
Corrida Alegria dos Sinos - 1981, 8 Km
Incrivelmente, eu me lembro de muita coisa dessa corrida. Não sei e nem tenho idéia de porque diabos eu resolvi correr esta corrida. Me lembro de ter arrastado minha mãe para um recém inaugurado shopping center em Botafogo, chamado Rio Sul, para fazer a inscrição. Lembro da minha mãe reclamando, mas me levando de qualquer forma. Chegando no Rio Sul, o estande de inscrições era no primeiro piso, lá perto da saída da rua Lauro Muller, onde já tinha uma galera se inscrevendo.
Depois de fazer a inscrição, já com o kit em mãos minha mãe resolve perguntar quem ia correr comigo. E eu disse: - ah, acho que o Augusto, o Ricardo, o Toninho e o Júnior (talvez alguns a mais, alguns a menos), todos moradores do prédio onde vivi a maior parte da minha vida, o edifício Enseada. E minha mãe: - O que??? Você "acha"??? E lembro que ela foi me dando esporro até chegar em casa.
O kit constava de uma camiseta regata branca (isso eu me lembro porque ainda tenho a unica foto desse evento) que a minha mãe precisou fazer uns "ajustes" para que ela não ficasse arrastando no chão. As alças da camiseta me fazia parecer que estava usando um vestido decotado, pois meu peito todo aparecia. Além da camiseta que ficava gigante em mim, ainda vinha uma fita, se não me engano vermelha, com dois guizos, para ser prendida no tornozelo durante a corrida, e ainda o número de peito, que era 1967. A camiseta ficava tão ridículo em mim que corri com uma camiseta normal por baixo, de malha verde, do colégio onde estudei, o Bennett. Era o uniforme de educação física.
No final das contas, os unicos que realmente correram comigo foram o Augusto 3 anos mais velho que eu e o Júnior (o França), acho que com a mesma idade. O engraçado era a diferença de tamanho entre os três. Eu, lógico, o menor, o Augusto quase do mesmo tamanho e o Júnior bem maior que os dois (vide foto).
Dia desses, quando o Augusto me emprestou a unica foto, a mãe dele nos lembrou que o próprio Augusto tinha dito que não queria que a mãe dele nos levasse, e sim, a minha mãe. Isso eu não sabia. E nem sabia porque ele não queria que a própria mãe fosse. Segundo ela, foi categórico em dizer pra mãe que queria que a Helena, minha mãe, nos levasse. Vai entender...
Enfim, vamos a corrida propriamente dita.
A largada foi em frente a entrada principal do shopping, em direção a Copacabana. O trajeto seguia pelo Túnel Novo, Av. Princesa Isabel, Av. Atlântica até o posto 6, em frente ao Hotel Rio Palace (hoje, Sofitel Rio Palace), retornando pela pista sentido Leme até a Av. Princesa Isabel, Túnel Novo e a chegada dos 8 Km era em frente ao shopping, claro.
Foi uma noite chuvosa, mas nada demais. Uma chuvinha que, para um paulistano quase recém chegado ao Rio, não passava de uma garoa, como se diz na minha terra. Fomos correndo os três juntos, num ritmo que hoje em dia eu considero bom para mim, e com muitos centímetros de altura a menos, devia fazer diferença. Mas com 11 anos, tudo é muito mais fácil.
Durante a corrida eu ficava catando no chão os guizos que os outros corredores deixavam cair com o movimento das pernas. Eu parando para catar os guizos e o Augusto com sua rabugice de sempre reclamando e mandando eu correr, pois o Júnior, por ter pernas maiores do que da gente, já ia mais a frente. Acho que corri grande parte do percurso carregando um imenso peso morto extra. Mas e daí? Eu corria e pelo chacoalhar do meu corpo, ia parecendo um mini Papai Noel com crise de gota, tamanho barulho que devia fazer.
Quando percorríamos talvez, lá pelo segundo ou terceiro quilômetro, já víamos os primeiros colocados do outro lado da pista, me direção a chegada. E nós ainda correndo em direção do posto 6.
Sinceramente, não tenho idéia se peguei água nos postos de hidratação ou quantos copos peguei. Talvez tenha pegado copos vazios para guardar minha coleção de guizos. Só suposições. Inclusive, não sei se eu parei alguma vez para dar uma "desabastecida", mas acho que o Augusto teria desistido de correr para sempre, se tivesse feito isso.
Finalmente, após um período que achava que era uma eternidade (quando nós somos crianças tudo parece uma eternidade, um aeon), já passávamos pela Av. Princesa Isabel, Túnel Novo e a grande chegada!
Obviamente, não sei o meu tempo exato de corrida, até porque naquela época não existia internet para poder checar o tempo, nem a gente recebia o tempo líquido por SMS no celular, porque não existia celular, nem SMS. E o tempo bruto a gente via por aqueles imensos relógios digitais que também marcar a temperatura. Eles tinham colocado os relógios como cronômetros e tenho a vaga idéia de que levei por volta de 46 minutos para completar os 8 Km. Ou seja, para um moleque nanico e mirrado correr, catando guizos no chão a cada 10 metros, na chuva, a noite, um pace de quase 6 min/Km, é muito bom!
Na chegada, minha mãe e a mãe do Augusto, a dona Inês (in memoriam), nos esperando para pegar um ônibus e voltar pra casa. Todos felizes da vida!
Pela foto, dá pra ver a diferença de tamanho entre eu (1967), o Júnior (1811) e o Augusto (1011)! Acho que isso dá a proporção áurea de Phi, não?
Depois de fazer a inscrição, já com o kit em mãos minha mãe resolve perguntar quem ia correr comigo. E eu disse: - ah, acho que o Augusto, o Ricardo, o Toninho e o Júnior (talvez alguns a mais, alguns a menos), todos moradores do prédio onde vivi a maior parte da minha vida, o edifício Enseada. E minha mãe: - O que??? Você "acha"??? E lembro que ela foi me dando esporro até chegar em casa.
O kit constava de uma camiseta regata branca (isso eu me lembro porque ainda tenho a unica foto desse evento) que a minha mãe precisou fazer uns "ajustes" para que ela não ficasse arrastando no chão. As alças da camiseta me fazia parecer que estava usando um vestido decotado, pois meu peito todo aparecia. Além da camiseta que ficava gigante em mim, ainda vinha uma fita, se não me engano vermelha, com dois guizos, para ser prendida no tornozelo durante a corrida, e ainda o número de peito, que era 1967. A camiseta ficava tão ridículo em mim que corri com uma camiseta normal por baixo, de malha verde, do colégio onde estudei, o Bennett. Era o uniforme de educação física.
No final das contas, os unicos que realmente correram comigo foram o Augusto 3 anos mais velho que eu e o Júnior (o França), acho que com a mesma idade. O engraçado era a diferença de tamanho entre os três. Eu, lógico, o menor, o Augusto quase do mesmo tamanho e o Júnior bem maior que os dois (vide foto).
Dia desses, quando o Augusto me emprestou a unica foto, a mãe dele nos lembrou que o próprio Augusto tinha dito que não queria que a mãe dele nos levasse, e sim, a minha mãe. Isso eu não sabia. E nem sabia porque ele não queria que a própria mãe fosse. Segundo ela, foi categórico em dizer pra mãe que queria que a Helena, minha mãe, nos levasse. Vai entender...
Enfim, vamos a corrida propriamente dita.
A largada foi em frente a entrada principal do shopping, em direção a Copacabana. O trajeto seguia pelo Túnel Novo, Av. Princesa Isabel, Av. Atlântica até o posto 6, em frente ao Hotel Rio Palace (hoje, Sofitel Rio Palace), retornando pela pista sentido Leme até a Av. Princesa Isabel, Túnel Novo e a chegada dos 8 Km era em frente ao shopping, claro.
Foi uma noite chuvosa, mas nada demais. Uma chuvinha que, para um paulistano quase recém chegado ao Rio, não passava de uma garoa, como se diz na minha terra. Fomos correndo os três juntos, num ritmo que hoje em dia eu considero bom para mim, e com muitos centímetros de altura a menos, devia fazer diferença. Mas com 11 anos, tudo é muito mais fácil.
Durante a corrida eu ficava catando no chão os guizos que os outros corredores deixavam cair com o movimento das pernas. Eu parando para catar os guizos e o Augusto com sua rabugice de sempre reclamando e mandando eu correr, pois o Júnior, por ter pernas maiores do que da gente, já ia mais a frente. Acho que corri grande parte do percurso carregando um imenso peso morto extra. Mas e daí? Eu corria e pelo chacoalhar do meu corpo, ia parecendo um mini Papai Noel com crise de gota, tamanho barulho que devia fazer.
Quando percorríamos talvez, lá pelo segundo ou terceiro quilômetro, já víamos os primeiros colocados do outro lado da pista, me direção a chegada. E nós ainda correndo em direção do posto 6.
Sinceramente, não tenho idéia se peguei água nos postos de hidratação ou quantos copos peguei. Talvez tenha pegado copos vazios para guardar minha coleção de guizos. Só suposições. Inclusive, não sei se eu parei alguma vez para dar uma "desabastecida", mas acho que o Augusto teria desistido de correr para sempre, se tivesse feito isso.
Finalmente, após um período que achava que era uma eternidade (quando nós somos crianças tudo parece uma eternidade, um aeon), já passávamos pela Av. Princesa Isabel, Túnel Novo e a grande chegada!
Obviamente, não sei o meu tempo exato de corrida, até porque naquela época não existia internet para poder checar o tempo, nem a gente recebia o tempo líquido por SMS no celular, porque não existia celular, nem SMS. E o tempo bruto a gente via por aqueles imensos relógios digitais que também marcar a temperatura. Eles tinham colocado os relógios como cronômetros e tenho a vaga idéia de que levei por volta de 46 minutos para completar os 8 Km. Ou seja, para um moleque nanico e mirrado correr, catando guizos no chão a cada 10 metros, na chuva, a noite, um pace de quase 6 min/Km, é muito bom!
Na chegada, minha mãe e a mãe do Augusto, a dona Inês (in memoriam), nos esperando para pegar um ônibus e voltar pra casa. Todos felizes da vida!
Pela foto, dá pra ver a diferença de tamanho entre eu (1967), o Júnior (1811) e o Augusto (1011)! Acho que isso dá a proporção áurea de Phi, não?
Introdução
Não sou atleta, mas resolvi que gosto de correr. Não sou rápido nem veloz, daí o nome do blog. Como minha memória é igual a memória RAM, ou seja, volátil, achei melhor criar algo pra poder lembrar e relembrar cada corrida da minha vida.
A minha primeira corrida foi lá nos idos de 1981, então com 11 anos, numa corrida de 8 km promovida pelo shopping Rio Sul. Depois, houve um gap de quase 3 décadas pra eu voltar a fazer alguma atividade física.
Enfim, vou postando cada uma das corridas que participei em ordem cronológica, do mais antigo para o mais recente.
A minha primeira corrida foi lá nos idos de 1981, então com 11 anos, numa corrida de 8 km promovida pelo shopping Rio Sul. Depois, houve um gap de quase 3 décadas pra eu voltar a fazer alguma atividade física.
Enfim, vou postando cada uma das corridas que participei em ordem cronológica, do mais antigo para o mais recente.
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